As paixões são um ponto nevrálgico da cultura grega. Na impossibilidade de dominá-las, os estoicos professavam a apatia (lembremos da matriz comum de apatia e paixão, pathos). Não parece haver melhor resposta a estes componentes ubíquos do que uma cultivada indiferença aos seus encantos. O intuito de engendrar uma disposição capaz de solapar a força das paixões atesta o esforço para reduzir a...
As paixões e o consumo
Subjetivo, objetivo e o relativismo
As noções de subjetivo e objetivo fazem parte do nosso cotidiano. No entanto, uma forte carga filosófica com frequência as vincula a compromissos teóricos e consequências mais amplas do que aparentam. Em geral empregamos a palavra subjetivo para designar as coisas que dizemos dependentes de fatores privados, internos, pessoais. Ou seja, subjetivo é algo que depende de nós. Por sua vez, objetivo...
Minha ambígua relação com o cinema
Embora eu tenha escrito algumas vezes sobre cinema por aqui, não sou cinéfilo. Minhas críticas ao cinema são, em boas medida, efeitos da decepção e do desencanto recorrentes. Portanto, são assumidamentes parciais. É profundamente desestimulante constatar repetidas vezes a mediocridade dos fillmes que aos borbotões chegam aos cinemas às sextas feiras. Ao mesmo tempo, eu sinto profunda incapacidade...
Teologia da prosperidade: egocentrismo a serviço de uma máquina de fazer dinheiro
Diferente de mim, talvez vocês conheçam crédulos (especialmente evangélicos) dignos de serem reconhecidos como pessoas boas. A maior parte das que eu conheço (estimativamente 96 a 98%) são pessoas completamente mundanas, absorvidas por inteiro em seus próprios problemas e preocupações. Quando porventura se arriscam a olhar pro lado, quase sempre o fazem para julgar e condenar aqueles que não se...
Considerações finais sobre a eleição em Salvador
ACM, o Neto, elegeu-se prefeito de Salvador. Antes mesmo do fato se consumar algumas análises rabiscavam confusamente justas críticas ao PT, críticas nas quais o partido era acusado de tomar parte do carlismo. Se a derrota pode ensinar algo, é preciso entender o que se passou. O carlismo não existe mais Se você preferir acreditar que ele ainda existe, tudo bem. “Diga o que quiser, desde que isso...
Descobrindo Wittgenstein II
217. Se alguém supusesse que todas as nossas operações com cálculos estavam incertas e que nós não poderíamos confiar em nenhum delas (justificando-se dizendo que erros são sempre possíveis), talvez nós disséssemos que ele é louco. Mas nós poderíamos dizer que ele está errado? Ele apenas não reagiu diferentemente? Nós confiamos em cálculos, ele não; nós estamos seguros, ele não está.219. Não pode...
Maquiavelismo e pragmatismo político
Entre um gole e outro (meus), meu bom amigo Fábio Freitas me vendeu a sobejamente conhecida tese de que o PT só alcançou seus mais destacados êxitos eleitorais depois que abandonou as práticas ginasiais e soube amasiar-se às figuras certas, tolerar interesses determinados e coisas afins. Em certa medida a tese me parece explicativa! O problema é que ao dar o passo seguinte e afirmar que política...
O voto nulo
O voto nulo tem uma ambiguidade característica que talvez explique tanto seu poder atrativo quanto a repulsa que causa. Talvez a informação acima ajude algum eleitor indeciso. Por um lado há um aspecto simbólico forte (embora não necessariamente eficiente) ligado ao desinteresse pela classe política, à reprovação das atitudes e ações de parte dos representantes políticos eleitos até hoje. Nesse...
Descobrindo Wittgenstein
Relendo o Da Certeza pensei que talvez fosse interessante recortar alguns fragmentos para ilustrar o que há de instigante e desafiador no pensamento de Wittgenstein. Não estou certo de que será fácil alcançar os limites do que ele propõe com exemplos triviais, mas vale a tentativa. 106. Suponha que algum adulto tenha contado a uma criança que ele foi à lua. A criança me conta a história e eu digo...
Eleições 2012: o triste augúrio da cidade negra da Bahia
Durante poucos minutos assisti ao debate entre candidatos à prefeitura de Salvador. Não aguentei mais que isso. A mediocridade dos candidatos é assustadora e (durante o tempo que estive corajosamente à frente da TV) o debate não passou de um festival de propostas ensaiadas e protocolares, incapazes de nos convencer de que qualquer um deles tenha efetivas condições de impedir que a cidade afunde...
