“Aquele que luta com monstros deve acautelar-se para não tornar-se também um monstro. Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você.” Nietzsche, Além do bem e do mal, § 146. Na internet, muitas pessoas manifestaram enorme surpresa ao ver a foto de Lula e Maluf cumprimentando-se amistosamente. E por isso sofreram (não sem alguma razão) com comentários...
O PT e o perigo de lutar com monstros
Salvador não tem nada pra fazer. Ponto!
Não dá pra levar toda declaração ao pé da letra. “Salvador não tem nada pra fazer” não é o tipo de afirmação que se falseia saindo à noite para constatar que de fato a cidade oferece opções e, numa mesma noite, até alternativas (como se propõe a fazer o vídeo abaixo). A afirmação é quase expressiva — e o resíduo informativo que sobra é parte injusto, (mas) parte verdadeiro. Injusto porque...
O que é “subjetivo” para o judiciário brasileiro
O Supremo Tribunal de Justiça decidiu que testemunhos e exames clínicos não valem como prova de embriaguez em processos criminais sob alegação de que existindo meios objetivos de se aferir a embriaguez, estipulados pelo próprio Executivo — o bafômetro e o exame de sangue –, “não se admite critérios subjetivos”. Não se trata de uma questão legalista, a objeção não se deve à ausência de...
Pondé “reflete” sobre a esquerda e o caso Pinheirinho
Um comentário meu hoje no Facebook: O texto de hoje do Pondé é tão simplorio, mas tão simplório, que ele se estrutura a partir da falácia de supor que reconhecer os erros da esquerda ontem e hoje implica em legitimar a arbitrariedade e barbaridade das ações do poder público no caso Pinheirinho. Bobagem acreditar que se trata de uma exposição popular de uma crítica corrente à esquerda e sua...
Pinheirinho e o legalismo
Em Pinheirinho, como em outras ocasiões, reina uma confusão geral sobre a relação entre lei e prática, regras e ações. “Cumpriu-se a lei”, dizem alguns tentando justificar todas as camadas de lambanças e falta de sensibilidade. O cumprimento da lei, aqui, vira sinônimo de justiça — e o Estado não pode se negar a agir com justiça, certo? Em grande parte do Estados Unidos, até 1967, um homem...
Dois argumentos contra Belo Monte
Para mim, de todas as críticas ao projeto dois pontos são decisivos. O primeiro nem mesmo toca o mérito das questões costumeiramente discutidas entre aqueles que o debatem. O segundo recua até premissas mais fundamentais, neutralizando boa parte das alegações trazidas em apoio antes mesmo que se ergam. A composição entre eles é o fundamento da minha objeção à construção de Belo Monte. Vamos então...
O ponto em que o diálogo atinge a rocha dura
Aproveitando a ocasião do Colóquio Da Certeza, recortei algumas das muitas passagens do livro que dão lugar a consequências bombásticas: 94. But I did not get my picture of the world by satisfying myself of its correctness; nor do I have it because I am satisfied of its correctness. No: it is the inherited background against which I distinguish between true and false. 95. The propositions...
Explicando o anticorinthianismo!
Ou: Times grandes, QUEM os define? O torcedor do São Paulo dirá que time grande precisa ter vencido no mínimo dois Mundiais Interclubes. O torcedor do Flamengo sentenciará que é preciso ganhar ao menos uma Libertadores. O torcedor do Bahia responderá que é necessário possuir mais de 40 títulos de campeonatos estaduais. Assim diferentes torcedores definem, cada um a sua maneira, como se...
Shame on you
Ao menos os policiais americanos, ou melhor, a polícia universitária da Universidade da Califórnia — e não a polícia regular — deve a decência, se é que resta alguma decência aqui, de praticar sua selvageria à luz do dia. Selvageria não, violência burocratizada — banalização do mal, ouso dizer. Aqui estão algumas fotos e relatos sobre o acontecido, abaixo, o vídeo. Atualização:...
Tio Rei e a tendência a buscar confirmação
Indignado, Tio Rei protestou contra o panfleto que tem circulado na USP ameaçando os usuários de maconha. Segundo Reinaldo, trata-se de uma tentativa de criminalizar não-esquerdistas. Lendo essa interpretação curiosa, para dizer o mínimo, lembrei imediatamente da crítica de Popper às pseudo-ciências e da maneira como Lakatos a caracteriza: A theory is ‘scientific’ if one is prepared...
