Autodestruição

Faz um par de anos uma amiga me disse, enquanto bebíamos cerveja num bar, que sua relação com a bebida era a expressão de um desejo de autodestruição. Ela me disse isso com muita naturalidade e, embora a ideia fizesse sentido, aquilo ficou na minha cabeça como algo forte e incomum. Quando certas coisas são ditas, por mais que ao considerá-las nos pareçam óbvias, algo indeterminado desperta em nós. Essa ideia adormeceu por muito tempo em minha cabeça até que a convergência de certos temas a trouxe de volta à superfície. Os temas eram: transformação, drogas e aniquilação.

Acho que na maior parte dos casos a autodestruição é a expressão do auto-ódio e do sadismo dirigido contra si mesmo, mas em certas circunstâncias não pode ser o caso de que ela seja também um instrumento de transformação? Como se certas mudanças necessárias ao corpo e à alma exigissem não um lento processo de maturação a que estamos acostumados, mas uma abrupta ruptura que já não conservasse mais nada do que foi destruído e não deixasse resíduo. Como se fosse necessário não apenas um novo eu, mas um eu que não admitisse a coexistência com nenhuma parte do antigo eu.

Se há algo de verdadeiro no materialismo e no fisicalismo científicos — e há, inegavelmente — é a suposição de um vínculo entre a psicologia e a fisiologia. Não um paralelismo, pois a psicologia não se reduz à fisiologia, como a intensionalidade não se reduz à extensionalidade, mas sim um vínculo estreito. Isso significa que o eu (simbólico e subjetivo) é também formado pelo corporal (material e objetivo), de tal sorte que a destruição do corpo contribui também para a destruição do eu (constructo simbólico). Pode uma radical transformação subjetiva ter lugar sem uma correspondente significativa mudança fisiológica? Pelo menos do ponto de vista simbólico, o cérebro é o locus do nosso espírito.  Supomos então que é aí onde deveria ter lugar uma mudança fisiológica. E sempre se escuta falar sobre a reestruturação das redes neuronais — em inglês o verbo to rewire permite aludir de forma simples e acessível a essa reestruturação, pois to wire costuma ser usado para falar de redes de computador (as redes wireless ou wired). Portanto, em certo sentido, uma mudança psicológica radical supõe o processo de reenredar ou reentramar as redes cerebrais, redefinindo o modo, a ordem dos disparos neuronais. Há uma teoria corrente em neurociência que diz: “Neurons that fire together, wire together“. Talvez seja essa a transformação subjacente às mudanças subjetivas.

Assim, a degradação do corpo talvez também possa ser entendida como uma etapa de uma transformação subjetiva. Mas não poucas vezes a autodestruição não é uma etapa ou um instrumento de transformação, mas o efeito colateral de respostas a circunstâncias intoleráveis. Isso se deixa ver de modo muito evidente na ficção (essa black mirror da vida real). Por exemplo, no lugar simbólico do alcoolismo em Mad Men.

Já na primeira temporada, eu lembro de um episódio em que Peggy se refugia no escritório de Don Draper para chorar de cansaço da sobrecarga mental do trabalho. Depois de descobri-la ali chorando, ouvir suas queixas e silenciosamente simpatizar com ela, Draper enche um copo de uísque e o oferece a Peggy, quase como uma ordem para que ela bebesse. Uma resposta não apenas ajustada ao seu padrão comportamental e ao seu modo de responder a dificuldades semelhantes, mas ilustrativa da naturalização do álcool como uma droga que azeita as insensíveis engrenagens de uma sociedade cujo mal estar que provoca mal se pode tolerar sóbrio.

Mas a ficção que serve de interface entre todas essas perspectivas é o filme Aniquilação (da Netflix). Recortei um pedaço do filme e, felizmente, parece que o Youtube decidiu não bloqueá-lo, assistam:

A diferença entre o suicídio e a autodestruição. E a autodestruição programada em nossas células.

Aniquilação apresenta circunstâncias intoleráveis de modo ainda mais radical que as críticas supostas no mal estar das cenas de Mad Men, e também fala de uma transformação que parece dar lugar a um novo eu. O filme acrescenta a tudo isso o fascínio pela homeostase da vida orgânica (que lembra o sentimento oceânico de que Freud falava). O anseio de pertencimento ao todo, de um retorno a algo ancestral que livra o sistema orgânico da sobrecarga do mundo exterior e seus estímulos. Esse retorno se dá pela simples dissolução da barreira que separa o mundo que nos sobrecarrega do eu sobrecarregado, fazendo-o retornar ao mundo como parte da vida orgânica. Voltar a ser parte do mundo, pelo via mais assustadora, pela morte voluntária e desejada do eu e da consciência. O suicídio. A pulsão de morte de que também nos falava Freud. Não por acaso foi a personagem da doutora em Física, Josie, quem escolheu como seu o caminho do retorno a vida orgânica.

Josie olhando fascinada para as pessoas transformadas em plantas

Há outra forma de voltar a fazer parte do mundo sem abrir mão da consciência e da vida. Nos ensinam o cinema e a própria realidade. A realidade é a de Passarinho e de sua vitalidade alegre. Os pensamentos e a poesia de Marion nos ensinam no cinema, em Asas do desejo, de Wim Wenders. Essa outra forma de ver o mundo talvez possa nos resgatar de um fascínio pela morte que parece quase natural, dada a sobrecarga e a complexidade imposta pela tecnosfera. E é também essa uma via de transformação.

PS. Comecei a escrever esse texto e no dia seguinte uma pessoa se jogou na linha do trem do metrô que me leva ao trabalho, interrompendo o serviço.

Variedades do poder: desejo de influenciar

Nos cadernos de Wittgenstein há essa anotação:

Eu só posso me tornar independente do mundo — e em certo sentido dominá-lo — renunciando a qualquer influência sobre os acontecimentos. / O mundo é independente da minha vontade.

Poder e influência — duas palavras que andam juntas. No entanto, não é disso que Wittgenstein está falando. O que ele insinua em sua nota é o desejo de controle sobre os acontecimentos do mundo. E a renúncia a esse desejo, necessária para tornar-se independente do mundo. Talvez possamos deduzir do desejo e da renúncia o sentimento de impotência diante da multiplicidade de sistemas sobre os quais não temos domínio. Na vida de cada pessoa a realidade dessa abstração — a impotência diante da multiplicidade de sistemas que se cruzam — se materializa de modo diferente, concretamente diferente, como uma avalanche de eventos sob os quais não temos controle. E é este o espaço da sorte (e da tragédia). Que sentimento ou circunstância pode inspirar o desejo de se tornar independente do mundo? Alguém que se sente potente diante do fluxo do acontecer, capaz de influenciar os acontecimentos, poderia desejar ser independente do mundo?

Acho que o desejo de independência tem origem no esmagamento e na sobrecarga dos acontecimentos e, portanto, só pode surgir em quem constata a futilidade do desejo de controlá-los. É como se o (domínio|controle|poder) só se consumasse negativamente, não pela realização efetiva do controle, mas pela renúncia quase estoica ao desejo de controlar os acontecimentos. É isso: há algo de estoico no comentário de Wittgenstein, algo que parece se assemelhar à receita da apatia.

O mais interessante, no entanto, é a oportunidade de constatar a obviedade mascarada por estar diante dos nossos olhos: a relação entre poder e influência. Não sem razão influencer/influenciador são palavras em voga nos últimos tempos na internet. O desejo de influenciar é uma das variedades do poder, é parte do indeterminado conjunto das suas expressões.

Desejo de influenciar, vontade de influenciar. Vontade de controlar, desejo de controlar. Desejo de poder.

Influenciar o modo como as pessoas veem suas vidas e experiências, o que elas desejam, o que pensam e o que lhes interessa. Num mundo cujo eixo principal é a Publicidade (e não a Razão), difícil encontrar expressão mais forte de poder. E este é um poder que está ao alcance de qualquer um, pois qualquer um pode se tornar um influenciador. Quem consegue influenciar o que as pessoas pensam e querem tem poder sobre elas. O poder sobre as pessoas é um tipo de poder sobre o mundo (e sobre os acontecimentos), sobre aquilo que está fora de nós. (A renúncia ao desejo de influir sobre o mundo, no pólo contrário, manifesta o poder sobre nós mesmos.) Não é disso o que se trata esse desejo de influenciar, da vontade de poder e potência? A vontade de ser capaz de ter domínio e poder sobre algo externo a nós mesmos? A vontade visceral e corruptora de se sentir poderoso e potente para fazer coisas e pessoas dobrarem-se à sua vontade?

PS. O contrário desse desejo de talhar o mundo conforme a vontade é o amor fati. Ao menos assim me parece. Uma aceitação não resignada, um dizer sim às coisas como se elas fossem necessárias.

PPS. Toda essa conversa me lembra a vontade de dominar, a representação que os fracos fazem do poder, na leitura deleuziana de Nietzsche.

Notícias e comentários para entender os ataques israelenses

Depois de ler o comentário de Rafael sobre o massacre em Gaza, resolvi reunir links que ajudam a entender o porquê da revolta contra a ação israelense. Os comentários abaixo podem ou não manter relações com os parágrafos anteriores. Quero apenas destacar informações a serem pesadas para uma avaliação precisa do que está acontecendo por lá.

Diferentes tipos de sofrimento.

Entre os que apoiam os ataques de Israel não há quem não lamente a morte de civis palestinos. No entanto, eles insistem em sublinhar a intranquilidade e a insegurança das cidades ao sul de Israel como pretexto para a carnificina em curso. Difícil não duvidar da sinceridade dessas lamentações. Quem se importa efetivamente com a vida de civis não está disposto a resolver o problema da insegurança impondo a outro povo um problema ainda maior. Os israelenses devem mesmo estar cansados do estado de constante intranquilidade, pois apoiam incondicionalmente uma investida que mata sem distinção. Se você defende a morte como solução política, é preciso ao menos hombridade para admiti-lo. A covardia israelense se duplica quando, além de matar centenas, os seus defensores escrevem hipocritamente em blogs e caixas de comentários que lamentam e se importam com as perdas civis. Como se essa importância não produzisse o compromisso de não submeter os outros a situações que não desejamos para nós mesmos.

Cora Ronai declara, no texto comentado por Rafael, que mortos e feridos israelenses não são filmados nem fotografados. Uma imensa mentira, pois mesmo os soldados, que por ofício correm risco de vida, quando mortos ou feridos, são elevados à condição de heróis e seus nomes são divulgados e se transformam em ícones e instrumentos de manipulação. Entretanto, a razão pela qual Cora não vê vídeos de israelenses mortos é porque eles praticamente não existem. 4 civis mortos desde que começou o ataque e 23 ao longo de quase 5 anos (considerando civis, claro). A falta de imagens de mortos e feridos israelenses, da qual Cora se ressente, é apenas a expressão da esmagadora discrepância que há entre Israel e Gaza e não o produto de manipulações antissionistas.

Um número bem mais preocupante, que supera em muito as baixas civis israelense.

O brilhante Ali Kamel saiu em defesa dos israelense. Observou que o Hamas, apesar de eleito democraticamente, prega a teocracia e por isso deveria ser acompanhado de perto. O Hamas propõe o fim de Israel, ao elegê-lo, o povo palestino aprovou a estratégia política do grupo e aceitou as consequências, pensou Kamel, quase justificando a morte dos civis palestinos. Guardião da democracia no Oriente Médio, Israel enxergava outras vias que não passavam pelo extremismo do Hamas: como o Fatah, que “pregava a saída de Israel dos territórios ocupados em 1967, a criação de um Estado Palestino com sua capital em Jerusalém e uma solução para os refugiados de 1948 com base em resoluções da ONU”. O mesmo Fatah contra o qual o Hamas foi lançado, com ajuda israelense. O que me leva a pensar que efetivamente Israel não tem nenhuma intenção de admitir um estado palestino. Embora em aparência zelosos defensores da democracia, nas questões internas os israelenses não têm por ela o mesmo apreço. Os que se recusam a endossar os ataques contra Gaza sofrem grande pressão e os que se recusam a participar são presos (como é o caso dos Shministim). Em Israel, a dignidade e o livre arbítrio não fazem parte do pacote da democracia. Os partidos políticos árabes foram impedidos de participar das eleições gerais em fevereiro. Os árabes perfazem 20% da população. Um exemplo de espírito democrático, não é verdade? Uma democracia ditatorial, invenção israelense. Uma dúvida razoável, há Constituição em Israel?

Desde outubro um membro do exército israelense já havia alertado para o uso desproporcional de força que seria investido nos próximos conflitos. O major israelense declarou:

We will wield disproportionate power against every village from which shots are fired on Israel, and cause immense damage and destruction. From our perspective, these are military bases,” he said. “This isn’t a suggestion. This is a plan that has already been authorized.” (…) The answer to rocket and missile threats from Syria, Lebanon and the Gaza Strip, he believes, is “a disproportionate strike at the heart of the enemy’s weak spot, in which efforts to hurt launch capability are secondary. As soon as the conflict breaks out, the IDF will have to operate in a rapid, determined, powerful and disproportionate way against the enemy’s actions.”

A ofensiva já havia sido planejada há tempos. Meses antes. Os foguetes do Hamas serviram de pretexto previamente calculado para emprestar “legitimidade” ao conflito. A tese da autodeseja é um total nonsense, lógica e juridicamente.

Aqueles que levantam a voz contra Israel são logo denunciados como antissemitas, pró terroristas e coisas afins. O maniqueísmo é a arma mais utilizada pelos defensores de Israel. Como se a revolta diante da morte indiscriminada de civis consumada por um país desenvolvido, politicamente organizado e executada por um dos exércitos mais poderosos do mundo fosse algo mais do que a manifestação espontânea de humanidade. As mortes e a insegurança que afetam os moradores das cidades ao sul não são justificadas, entretanto, também não servem de pretexto para assassinatos sistemático. Sobre isso, quero fazer um parêntese. Considerando o ideal ascético Nietzsche (Genealogia da moral, III, § 13) chega a uma posição paradoxal à primeira vista: a idealização e o distanciamento da vida real e material são artifícios para preservação da vida e não o contrário. É o esgotamento, a exaustão fisiológica que leva ao instinto de cura que dispara uma luta pela existência. Em tempos de sofrimento, doença e privação, todos dispositivos concorrem para preservar o valor da vida, mesmo o mais radical deles, a negação. Para entender, e apenas entender, as vias políticas adotadas na faixa de Gaza é preciso ter em conta a condição doentia a qual está sujeito aquele povo. Colonizados, enjaulados, submetidos a constrangimentos e privações de toda sorte, o cerco israelense vai enformando a alma cansada dos palestinos. Crianças crescem subnutridas, em um contexto socio-político que debilita seus corpos e seus espíritos. O fechamento das vias políticas e a intensificação dos bloqueios e controles israelenses dispara uma resposta atávica. A degradação constante, contínua, acirra a luta pela vida e explica mesmo a adoção de políticas extremas. Na iminência da degeneração, do desaparecimento, o homem reage quase por instinto, como um animal que, preso e ferido, reune forças inexplicáveis para lançar uma última investida contra seu algoz. Essa é uma imagem, não justifica a morte de civis e o lançamento de foguetes do Hamas — as toupeiras costumam prendre-se a leituras simplificadoras e ignorar analogias a fim de escapar dos argumentos — mas entender o contexto e as rotas políticas recentes exige que tenhamos plena consciência do estado doentio, de esgotamento, que Israel impõe aos palestinos através do cerco, da colonização e dos bloqueiros, e, portanto, de sua responsabilidade pela radicalização das estratégias políticas em Gaza contra a qual agora ela investe violentamente. Por isso mesmo a ação militar israelense já está previamente fracassada; ela é cega para esse impulso vital que jamais cessará de existir enquanto as condições degradantes não forem suprimidas. Desestruturar o Hamas não é o bastante para impedir que novos ataques aconteçam (Gaza não é o Líbano), é preciso desarticular as condições que conduzem ao radicalismo e o primeiro passo nesse caminho é abandonar o bloqueio que embota a vida dos palestinos. Enquanto eles se sentirem ameaçados pela constante degradação, com ou sem estrutura militar, haverá sempre quem esteja disposto a uma ação violenta e extremada. Aliás, a verdade desse impulso se desenha nos inúmeros escritos psicológicos que tentam explicar a passividade dos judeus diante da morte. Usada quer pelo Hamas, quer por Israel, a morte nunca é uma estratégia política legítima. A violência física e psicológica resultante da esgotamento imposto aos palestinos pelas medidas israelenses torna ainda mais absurdo o massacre em Gaza. Israel não pode fugir às suas responbilidades pela radicalização do conflito e pela ascensão do Hamas. Contra a doença que Israel infunde em Gaza, e que consome gradativamente os palestinos, não é de estranhar a radicalização. Imaginar que o assassinato de civis é uma resposta apropriada a ela é esquecer cinicamente a parcela de culpa de Israel e ignorar as diferenças entre a saudável e organizada sociedade israelense e a sociedade palestina, quase em completo colapso por consequência das políticas israelenses.

Israel tem usados todas as armas na ofensiva em Gaza, sem poupar esforços. Um soldado comentou o uso de armamento contendo fósforo branco, apesar da negativa oficial.

One soldier sent to Gaza recently said that he had handled phosphorus grenades and that tanks equipped with white phosphorus shells were in operation. “We’ve been using it responsibly . . . it’s been around the whole time,” he said.

O analista militar da Human Rights Watch, Marc Garlasco, enviado a Israel para investigar o uso de armas ilícitas, não pôde entrar em Gaza, mas deixou uma descrição que nos interessa.

There are two ways to use the bombs: The first is to impact them on the ground, in which case the resulting thick smokescreen covers a limited area; the second way is an airburst of a bomb, which contains 116 wafers doused in phosphorus. The moment the bomb blows up and the phosphorus comes in contact with oxygen – it ignites. This is what creates the “fireworks” and billows of jellyfish-shaped smoke.

Alguma semelhança? Imagens do boston.com

Há ainda o uso de DIME, Dense Inert Metal Explosive, e de outras armas (como urânio empobrecido) cuja verificação não pode ser feita porque Israel não permite a entrada de jornalistas, nem representantes de entidades internacionais (ver verbete no Wikipedia sobre DIME).

Israel bombardeou uma Universidade, um hospital, escolas, prédios públicos, delegacias, mesquistas, ambulâncias, um prédio e duas escolas da ONU, e um edifício de agências de notícia internacionais. Alegando uma ação coordenada para desarticular o Hamas, o exército destruiu por completo a estrutura da sociedade em Gaza. Quando questionadas sobre os ataques, as autoridades afirmaram que a IDF reagiu aos disparados de militantes do Hamas. Foi assim no episódio da escola da ONU (embora depois tenha sido negado, UN: IDF officers admitted there was no gunfire from Gaza school which was shelled). Foi assim no recente caso dos ataques ao prédio da ONU. Eles nunca erram, apenas respondem à ação dos “terroristas”. Mas o Haaretz documenta casos como esse:

With fighting all around them, Israel Defense Forces troops knocked on the door of the Samouni clan in Gaza City last weekend and told them to leave, directing them to the building owned by a relative. Twenty-four hours later, three shells slammed into the structure where dozens of people were huddling, according to survivor accounts Friday.

Essas são algumas pistas com as quais se deve contar para formar juízo sobre o massacre israelenses — ou a Solução Final para o problema palestino. Não se deve perder de vista, por fim, as manipulações operados ao início do conflito, na tentativa de transmitir a falsa imagem de ataques cirúrgicos. A medida que a verdade foi se mostrando, elas cessaram.

Todas as notícias que cataloguei estão registradas no Delicious, nas seguintes tags: israel, gaza, UN, palestine, guardian, haaretz e muitas outras relacionadas.

Atualização 1: Fresh evidence of Israeli phosphorus use in Gaza emerges

Atualização 2: Um vídeo esclarecedor, com imagens e pronunciamentos relevantes. Eu fico cá me perguntando: será que os israelenses pensam que seus ancestrais, aqueles que sofreram o horror nazista, será que eles estariam orgulhosos do que foi feito com Gaza? De forma alguma!