A bondade significa a vontade de ceder e de doar poder; a maldade, a vontade de acumular e exercer despoticamente o poder, de prevalecer sobre os outros. Quem é bom é, ao mesmo tempo, dono do poder e não dono do poder, pois para dar e ceder poder é preciso transbordar, ter mais do que pode portar e carregar. Ou seja, só transborda quem sente que não é preciso acumular poder, quem pode ser mais...
Pra mim, escrever aforismos consiste no imenso desafio de escrever sinteticamente sem ser superficial. E é como se esse desafio pudesse ser ilustrado em termos estritamente quantitativos, como o exercício de dizer muito usando poucas palavras — com as palavras necessárias. Nesse sentido, é um exercício de suficiência (e não de ostentação).
