As vozes cruéis na minha cabeça me dizem que sou o pior: detestável, nojento, asqueroso, pervertido, que sou igual ao próprio mal e capaz de tudo, das piores maldades. Eu não consigo ver com horror as crueldades do mundo, ou me julgar superior aos piores homens, pois me sinto igual a eles e não consigo negar essa impressão. Eu trago o inimigo dentro de mim mesmo. O pior que pode acontecer na...
Pra mim, escrever aforismos consiste no imenso desafio de escrever sinteticamente sem ser superficial. E é como se esse desafio pudesse ser ilustrado em termos estritamente quantitativos, como o exercício de dizer muito usando poucas palavras — com as palavras necessárias. Nesse sentido, é um exercício de suficiência (e não de ostentação).
