Talvez o maior indicativo da força hegemônica da cultura dos EUA seja polivalência do conceito de guerra. Tá aí uma palavra que está em todo lugar, que explica tudo: tudo é guerra. As chamadas “guerras culturais” são apenas mais uma ocasião para aplicar esse conceito e moldar a experiência humana como uma batalha entre seres humanos, no melhor estilo Thomas Hobbes, da guerra de todos...
Empatia suicida
Há ideias tão estereotipadas, tão caricatas, que ilustram perfeitamente a conveniência de ideias opostas, que se tentam combater. Faz poucas semanas, fiquei sabendo que foi decisiva a participação das mulheres na vitória eleitoral de Zohran Mamdani em Nova Iorque, a ponto de algumas pessoas defenderem que as mulheres não deveriam votar. O vídeo do pastor conservador Dale Partridge é um exemplo...
Amor e interesse. Amor e doação
Quem nunca recebeu amor só pode ver na gratuidade do amor o interesse camuflado. E vai buscar em todo ato de amor um interesse, o interesse próprio do benfeitor e como ele se esconde. Quem precisa provar o amor como fato do mundo nunca experimentou o amor como ato, como gratuidade. Essas pessoas serão, muito naturalmente, céticas quanto ao amor e nenhum fato as convencerá. E elas nunca entenderão...
Utopia e Realidade(s)
Combater a desigualdade é suficiente? Há pessoas que acreditam que o mundo estaria no rumo certo e desejável se nós taxássemos os super-ricos, ou se a maioria dos países tivesse programas de renda básica universal, e que combater a desigualdade no sistema capitalista é o caminho para uma sociedade melhor. Nada contra o combate à injustiça e a regressividade tributária (como Haddad e Lula tem...
Marco de transformação
Quando queremos mudar algo em nós, ansiamos por uma prova de que efetivamente mudamos. Eu chamo essa prova de “marco de transformação”. O marco é expressão da busca por uma evidência, por uma objetividade que ateste a transformação para nós mesmos, mas especialmente para os outros. Qualquer transformação só se consuma em nós quando abandonamos a ideia de marco, quando nos damos conta...
A filosofia é a trophy wife da alta cultura
A filosofia não importa Eu diria o seguinte: uma roda que pode ser rodada, sem que nada mais se mova não faz parte da máquina. Wittgenstein, Investigações Filosóficas, § 271 É frustrante se dedicar a uma tarefa impossível, e desesperador se ver incapaz de escapar dela. Meu juízo é de que a escrita é uma atividade em processo de declínio, ou seja, em algumas décadas a sociedade terá uma relação...
Somos lindos!
Mestiçagem como política pós-nacional e pós-capitalista Na Europa foi inventado o elitismo eugenista, a aristocracia eugenista. Melhores são os iguais, preferencialmente os arianos, a raça superior. Os negros são animais, macacos, primitivos, selvagens, e coisa parecida pensavam também os eugenistas de outras raças e etnias. Eu, que não sou europeu e não me deixo encantar por essa filosofia...
Música, memória e amor
Memória e história A música é como migalhas que eu jogo pelo meu caminho, pelo chão da minha história, para lembrar por onde vim e o que me aconteceu, e evocar os sentimentos como se fossem vivências — e não memória. Cheiros, gostos, pessoas, tudo recuperado pelas músicas que eu ouvia e ouço. Música é história! É como um mapa da vida Para todos os momentos há uma música! Para todas as pessoas...
Pensamentos sobre o filme Materialists
Amor não é match O segundo filme de Celine Song, Materialists, é muito melhor que o primeiro. O primeiro não é ruim — na verdade, é muito bom — mas eu tenho diferenças significativas a respeito do modo como o filme apresenta certas coisas. O melhor desse segundo filme é a reflexão sobre a lógica do match, a lógica de aplicações como o Tinder. O filme aborda essa lógica sem sequer mencionar as...
Matar o tempo
Matar o tempo é matar a nossa capacidade de esperar as coisas que demoram, que levam tempo! É não saber esperar, é não ter essa virtude fundamental: a paciência!
