A maldade na cabeça o dia inteiro

A

As vozes cruéis na minha cabeça me dizem que sou o pior: detestável, nojento, asqueroso, pervertido, que sou igual ao próprio mal e capaz de tudo, das piores maldades. Eu não consigo ver com horror as crueldades do mundo, ou me julgar superior aos piores homens, pois me sinto igual a eles e não consigo negar essa impressão. Eu trago o inimigo dentro de mim mesmo. O pior que pode acontecer na vida, pra mim, é reencontrar na voz de alguém que eu amo as palavras ditas por alguma voz cruel na minha cabeça. E às vezes isso acontece! Mas ter o inimigo dentro de mim também faz com que o pior dos casos, na minha relação com os outros, esteja sempre no campo de coisas conhecidas e familiares. Ter a maldade dentro de si é coisa que a gente reconhece, mas é duro aceitar. No entanto, se posso sempre encontrar no outro o inimigo que está dentro de mim e que não aceito, eu posso sempre buscar deliberadamente o inimigo dentro do outro — não como quem se previne da maldade alheia, mas como quem procura por algo de si mesmo dentro de um estranho, e sabe que este algo existe necessariamente dentro desse outro, e em Todos os Outros. Assim tornamos o inimigo, um amigo, um aliado. E o inimigo assim é parte de um elo e uma conexão, pois por meio dele eu descubro que existem 8 bilhões de Leonardos no mundo. E eu sempre encontro a mim mesmo em todas e em cada uma das minhas relações.

PS. A humanidade é uma rede peer-to-peer, é sempre bom lembrar disso

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